A curiosidade é uma característica da infância. As
crianças exploram o mundo tentando compreender fenômenos que os cercam, imersas
num movimento de intensa interação com ações e reações, mudanças constantes e
adaptações.
Donas
de um pensamento egocêntrico, que faz com que partam de suas próprias
experiências para poder explicá-las, é comum acompanharmos as crianças
procurando a família dos insetos no jardim, colocando os tatus-bola para
dormir, tentando entender o que fez uma planta crescer, explicar por que um
gelo que estava no seu suco sumiu e o que aconteceu com o milho que virou pipoca,
por exemplo.
As mesmas situações no contexto escolar merecem um
olhar que vai além da curiosidade, mas representam situações importantes de
aprendizagem. Estamos falando do conhecimento do Meio Físico. Nesta área de
conhecimento, o estudo dos fenômenos considera não apenas os conceitos
estruturantes, como ideias que permeiam os conhecimentos e favorecem o
estabelecimento de novas relações entre eles, mas as diferentes maneiras de
indagar, argumentar e comprovar. Ainda neste contexto, iniciamos a apropriação
de procedimentos importantes, como as observações, o levantamento de hipóteses
e os registros.
O principal propósito é causar a reflexão, trocar
ideias e aproximar-se, progressivamente, de conceitos que serão revisitados ao
longo da escolaridade, como matéria e transformação, por exemplo. O que, para
as crianças, envolve exploração em brincadeira, para o professor, constitui uma
atividade com objetivos muito claros, com encaminhamentos previstos, desde as
perguntas que disparam problemas aos alunos até a sustentação de troca de
pontos de vista e de explicações infantis. Como exemplo, podemos citar o
transporte de água de um grande balde para as banheirinhas, para que as
crianças possam dar banhos em bonecas e bonecos no momento de parque. As crianças
precisarão escolher utensílios disponibilizados para esta atividade, como
pratos, panelinhas, peneiras, garrafas plásticas, colheres, entre outros.
O professor registrará esta atividade com fotos e
retomará esta situação em outro momento da rotina, para que as crianças
observem características da água e reflitam sobre as facilidades de
transportá-la em panelinhas e as dificuldades das peneiras, por exemplo. As
crianças serão convidadas a justificar as suas escolhas, refletindo sobre suas
experiências e, ainda, observando e compreendendo as experiências das outras
crianças, praticamente imperceptíveis no dia da brincadeira proposta.
Vale considerarmos, ainda, neste exemplo, que, num
primeiro momento, o foco das crianças será o utensílio escolhido. E, retomando
o segundo parágrafo deste texto e as características desta fase do
desenvolvimento infantil, as respostas terão como justificativa os utensílios e
não a água, como se eles tivessem vida – puro animismo infantil, dar vida aos
objetos. Portanto, a culpa de a água escorrer será dos buraquinhos da peneira
ou do prato, que deixou a água cair.
As intervenções do professor terão como um dos
principais objetivos questionar as crianças, para que tenham a oportunidade de
ampliar seus olhares sobre a questão, fato que não garante a mudança nas
respostas, mas contaremos com a possibilidade de elas apresentarem outras
justificativas e seguirem pensando nelas, como: “a água caiu porque é
molinha!”.
Sim, nossos pequenos aprendizes já podem aproximar-se
dos conceitos desta área de conhecimento. E nós, enquanto escola,
aproveitaremos este tempo totalmente favorável às aprendizagens, um tempo que
não voltará, no qual as experiências vividas e refletidas serão fundamentais
para os próximos segmentos.
Alunos
Infantil III
Profª
Karin
Parabéns, pelo trabalho.
ResponderExcluirElaine